
Após cinco dias de exibição gratuita de cinema e troca de experiências entre os projetos sociais, o Festival de Jovens Realizadores de Audiovisual do Mercosul encerrou a quinta edição com a divulgação dos quatro filmes vencedores do Troféu Caleidoscópio. A sessão de encerramento foi realizada no final da tarde de sábado, 26, no Cine Metrópolis, na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).
O Troféu Caleidoscópio premiou o documentário “Olé Larinda, O Canto das Raspadeiras de Mandioca”, do Grupo de Informática, Comunicação e Ação Local (Giral), de Pernambuco; o documentário “Belas Favelas – Comunidade da Serrinha”, da Escola de Arte e Tecnologia (Spectaculu), do Rio de Janeiro e a ficção “Máicou Diéquison”, produzido pelo Cineclube Kbça e o Centro de Referência da Juventude de Vitória (CRJ), do Espírito Santo.
Com 63 votos, o vencedor do Júri Popular é a ficção “Oswaldo” produzida pelo Instituto Oficinas Querô Empreendedorismo e Cidadania através do Cinema, vindo de São Paulo. A obra paulista foi escolhida pelo público – composto principalmente por alunos de escolas públicas capixabas – que lotou as sessões gratuitas de cinema promovidas pelo evento.
O Júri do Festival selecionou os demais trabalhos com base nos seguintes critérios: ser produto de um coletivo que está se iniciando na produção audiovisual, com experimentações de linguagem e que aborde temáticas com relevância para a sociedade.
A decisão foi tomada em reunião, ocorrida no dia 25, no Hotel Ilha do Boi, por um júri formado pelos jovens realizadores: Ariane Piñeiro, Benício Ramos, Felipe Santos Neves, Guilherme Rebêlo, Marinéia Anatório e Raphael De Angeli.
De acordo com a justificativa dos jurados, o vídeo “Máicou Diéquison”, dirigido por Ramon Zagoto e Natanael de Souza, foi escolhido “por tratar de um assunto recorrente na sociedade de uma maneira atípica, além de se preocupar com uma edição bem acabada, uma sonoplastia eficiente e com uma trilha sonora coerente com a narrativa”.
O documentário “Olê Larinda, O Canto das Raspadeiras de Mandioca”, dirigido por Everaldo Costa Santana, “aborda uma realidade dura e pouco discutida, retratada em depoimentos muito sinceros. O vídeo também possui fotografia cuidadosa e roteiro dinâmico por conseguir quebrar a narrativa e ainda assim ser intrigante”, destaca a justificativa dos jurados.
A obra “Belas Favelas – Comunidade da Serrinha”, dirigida por Felipe Marinho, foi escolhida por apresentar belas imagens, manter na memória popular uma manifestação cultural africana muito rica e relevante para a região, o Jongo”, segundo avaliação coletiva dos jurados.
Marivaldo Silva, responsável pela fotografia, som, edição de som e montagem de “Olê Larinda, o Canto das Raspadeiras de Mandioca”, destacou a importância da premiação. “Este documentário mostra um assunto muito sério, mas que muita gente não conhece ou não se importa. Agora, as pessoas vão olhar com mais carinho para estas mulheres”, avalia o realizador. O filme revela as histórias de vida e as precárias condições de trabalho das raspadeiras de mandioca nas casas de farinha do interior pernambucano.
Para Ramon Zagoto, um dos diretores da ficção capixaba “Máicou Diéquison”, a premiação foi uma surpresa. Inicialmente, o vídeo foi idealizado para ser apresentado na Conferência Nacional de Segurança Pública, no entanto, como a produção ultrapassou o tempo de três minutos exigido pelo evento público, os jovens capixabas não puderam apresentar o material.
“Ficamos empolgados demais com a produção que acabou tendo quase nove minutos. Não era nossa pretensão inscrever o vídeo em festivais até que surgiu a oportunidade de participar do Festival Jovem”, conta Ramon. “Máicou Diéquison” mostra o desafio na busca do primeiro emprego vivido por um jovem negro da periferia que sonha com a carreira musical.
O 5º Festival de Jovens Realizadores de Audiovisual do Mercosul é realizado pelo Instituto Galpão (Vitória/ES), em parceria com a Aldeia – Agência de Audiovisual (Fortaleza/CE) e o Instituto Marlin Azul (Vitória/ES), com patrocínio do Instituto Votorantim através da Lei Rouanet. O evento começou na terça-feira, 22, e terminou ontem, 26, e reuniu representantes de 30 projetos ou instituições sociais de várias partes do país.
A programação incluiu, além das sessões gratuitas de cinema, debates abertos com os realizadores ao final das exibições diárias. Foram apresentados 44 filmes e vídeos dentro da Mostra Competitiva e 36 fora da competição, além de vídeos feitos por jovens argentinos para a Mostra “Um Minuto por Meus Direitos”, resultado da parceria entre a Fundação Cine, Cultural e Educativa da Argentina e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).
O festival também ofereceu gratuitamente aos realizadores e ao público em geral palestras sobre comunicação colaborativa na produção audiovisual; conteúdos televisivos infanto-juvenis de qualidade; estratégias em mídias sociais e a construção da imagem corporal na mídia. As oficinas também eram gratuitas e ofereceram aos participantes orientações sobre como melhor utilizar as ferramentas de multimídia para aperfeiçoar a troca de conteúdo, a comunicação e dar maior visibilidade à produção audiovisual jovem.
Feed RSS dos comentários deste post URL de TrackBack
Muito legal e super merecido o longa do Marinalvo. Será que podemos encontrar os curtas on-line ?
Comentário por Liz — 5 05UTC outubro 05UTC 2009
Em breve, alguns estarão aqui no nosso site.
Comentário por admin — 7 07UTC outubro 07UTC 2009