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As chaves do segredo – exibição em Chaves (PA) – 03/07/2009

Chaves - PA

Por Daniel Vieira Corrêa, diretor do filme  “Sou teu Maninho! Um Grito Marajoara” -  Chaves – PA

Fernando Sabino, em sua frase célebre diz que “o valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis”. Foram apenas três horas, mas sem dúvidas, a noite de sexta-feira, do dia 03 de julho de 2009, ficará marcada para o resto de todas as nossas vidas.

“Égua, rapá, tu viu aquilo que aconteceu ontem à noite? Que coisa maravilhosa! Eu nunca tinha visto coisa igual”, “Vivo em Chaves durante toda a minha vida e, pela primeira vez, chorei de emoção ao enxergar de verdade a minha cidade”, “Me senti um chaveense naquela noite”, “eu nunca tinha pensado que somos tão belos, tão ricos e tão pobres, chorei muito”.  Esses são alguns dos depoimentos que colhi espontaneamente ao longo dessas horas, pós-vídeo.  Não foi apenas uma simples noite de exibição de vídeos, foi a noite “Revelando Chaves”, em que os artista principais eram o próprio povo… E que povo maravilhoso! Um momento que gostaria de ter dividido com todos os participantes do Revelando os Brasis e com toda a produção do Projeto.

A cidade, na manhã do dia 04, acordou diferente. As pessoas que foram dormir na noite do dia 03, foram pensativas para suas redes ou camas. Algumas disseram-me que quase não conseguiram dormir, pois ficaram pensando naquelas imagens, naquelas mensagens, naqueles momentos e, pela primeira vez, deram-se conta da sua realidade, viram-se desnudadas, completamente despidas frente a uma grande tela de cinema. Ficaram estagnadas, perplexas e as lágrimas lavavam seus rostos em todos os instantes. Durante todo o dia, pessoas abordaram-me agradecidas, emocionadas, numa ansiedade de falar seus sentimentos e suas impressões.

Não foi simplesmente o vídeo que as encantou. Foi o clima, a situação, as músicas, as diversas apresentações, as mensagens subliminares (e outras bem diretas) e, principalmente, o despertar de consciência que os arrebatou, para além das fronteiras do fazer política partidária. Tomaram, mesmo que por instantes, ou dias, ou meses, consciência que eles são capazes da mudança, que são agentes transformadores de sua realidade e que são aptos a criar. Perceberam que não podem mais esperar que o tempo as modifiquem, que não podem ficar esperando uma revolução que chegue e os leve com sua marcha. Perceberam que eles mesmos são o futuro, que eles mesmos são a revolução.

Posted in Chaves - PA, Rota 3.

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One Response

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  1. Ana Amélia de Araújo Maciel says

    Olá Daniel!
    Costumo retomar e refletir sobre os momentos daquilo que faço, participo, e contribuo. Neste moment, em que concluo o segundo volume do livro ” O Manto do Marajó: chaves de aldeia dos índios aruã à cidade”, deparo-me com a matéria postada por você e pude rever o espetáculo de imagem e luz que deixastes registrado acima. LUZ, centelhas, cor, é o que tem alimentado a esperança, de nós chavienses. Mesmo quando tudo parece ficar cinzento, lá renasce a esperança. Lembro Paulo Freire quando diz: “O homem não pode viver sem esperança[...]“. De esperança tem sido escrita a história de Chaves.
    Milton Nascimento com sua belíssima voz, que parece chegar aonde ele quer, diz: “Todo artista deve ir aonde o povo está” . Em Chaves, se o artista não vem, o povo faz a festa, e se quiser um espetáculo de primeira grandeza, é só aparecer alguém que forme uma equipe e faça “as coisas acontecerem”, assim como você agiu para acontecer o espetáculo do “TEU MANINHO: um grito marajoara”. Em Chaves, a expressão maior nasce da alma do povo. Se a imprensa não chegou para fazer cobertura, que pena que ela perdeu a oportunidade de mundiar-se da nossa cultura, como escrevo em O MANTO DO MARAJÓ, a cultura marajoara não está perdida, basta que adentremos o Marajó que logo, logo seremos mundiados por ela….e foi por rememorar a cultura que vesti-me de “encarnado” (era assim que falávamos quando eu era criança) para deixar “baixar” as entidades dos povos da olaria, dos aruã, e a voz do negro.
    Parabéns para Beatriz Lindenberg que enfrentou o desafio de chegar em Chaves, ela nem sabia que ficaria eternizada em nossas lembranças. Parabéns para o Revelando os Brasis, que permitiu revelar uma face de Chaves.
    Mais uma vez parabéns prá você, meu maninho, pela mensagem que você postou, pelos sonhos que acalenta, e pelo o que consegue realizar.
    Um abraço da sumAna,
    Ana Amélia



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